Julho Bordô é uma iniciativa do Colégio Brasileiro de Odontologia Hospitalar e Intensiva que tem o objetivo de alertar para cuidados com a mucosite oral em pacientes oncológicos. A Campanha gira em torno de conscientizá-los de que não precisam sofrer com a mucosite e sensibilizar as equipes médicas a respeito da importância do acompanhamento odontológico preventivo.

Mucosite oral e tratamento
A Mucosite oral é caracterizada pela inflamação da mucosa bucal que ocorre após utilização de agentes quimioterápicos e da radioterapia principalmente na região de cabeça e pescoço, e que pode ser agravada pela saúde bucal inadequada. Ela aparece normalmente no período de imunossupressão, que costuma acontecer alguns dias após o início da quimioterapia e/ou após as primeiras sessões de radioterapia.

Apesar de ser autolimitada, cicatrizando geralmente em duas a quatro semanas após o término ou interrupção do tratamento quimioterápico ou radioterápico, a mucosite oral causa dor e incômodo intensos, dificultando na alimentação diária. Além disso, ela pode evoluir e atingir todo o trato gastrointestinal, desde a cavidade oral até o ânus, com lesões atróficas e avermelhadas que podem se tornar úlceras hemorrágicas, aumentando os riscos para infecções secundárias. Todas essas complicações não só comprometem a qualidade de vida do paciente, como também podem interromper o tratamento oncológico.

O laser de baixa potência (laserterapia) traz benefícios clínicos e funcionais, sendo eficaz na prevenção e tratamento dessas complicações bucais, uma vez que apresenta ação anti-inflamatória, acelera o processo de cicatrização das úlceras e reduz o quadro doloroso.

Conscientização é essencial
A diretora acadêmica do CBROHI, Raquel Richelieu, destaca que a mucosite oral não é só uma ‘feridinha’, ela é debilitante e pode agravar a morbidade do paciente, além de deixar uma porta aberta para infecções e suspensão do tratamento oncológico.

Diante disso, entende-se a importância do paciente seguir as orientações dos profissionais de odontologia, com a concomitância multidisciplinar composta por dentista, tratamento oncológico, cuidados orais, remoções de foco e laserterapia.

Também é válido mencionar sobre a necessidade de capacitação dos cirurgiões-dentistas para o tratamento de pacientes oncológicos com mucosite oral: para atuar com a laserterapia, o cirurgião-dentista precisa ser capacitado, seu compromisso ético não pode ser deixado de lado! É preciso lutar constantemente para mostrar, tanto para os cirurgiões-dentistas quanto para a sociedade em geral, que a laserterapia é benéfica.

A campanha do Julho Bordô dialoga com o Julho Verde, promovido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), e que também procura conscientizar e esclarecer sobre a prevenção e tratamento da doença.

Resultados da Campanha
O CBROHI buscou, em ações junto ao Ministério da Saúde, que fosse criado o código específico da laserterapia na tabela do Sistema Único de Saúde. A vitória veio em julho de 2020, com o registro do procedimento 03.07.03.007-5 – TRATAMENTO DE LESÕES DA MUCOSA BUCAL.

O tratamento também já consta no rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar pela Resolução Normativa RN Nº 387. A aprovação dos procedimentos depende dos acordos comerciais que os hospitais possuem com as operadoras de saúde, no caso da rede privada. Dependendo do tipo de plano ou categoria, o pedido será liberado ou não pela operadora, mesmo com a inclusão do procedimento no ROL da ANS. “Quem pode negar o procedimento é a operadora. Quando não existe acordo comercial entre o hospital e a operadora para algum procedimento, o sistema do hospital pode dar a informação de ‘não coberto’, o que não significa negado”, explica a presidente do CBROHI, Julia Lamy.

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